quarta-feira, 26 de agosto de 2009

A sina de Angel Eyes

Final das 21h, quase 22h. Após uma noite sem grandes surpresas, vou até o quarto escolher uma roupa pra usar depois do banho. Nesse meio tempo, meu pai está assistindo TV no tal recinto e, coincidentemente, vai até a cozinha ao mesmo tempo em que abro a gaveta do armário. Olho de relance pra tela e percebo que um documentário sobre Frank Sinatra está no ar. "Putz, já tá acabando, perdi tudo", penso e digo alguns palavrões boca a fora. Enquanto me concentro nas bermudas à minha frente e já estou prestes a sair do quarto após escolher a peça, ouço as últimas frases rasgação-de-seda do narrador e, ao se calar, começa uma música.

Enquanto ressoam os aplausos da última canção, Sinatra alcança um cigarro sob o piano. As luzes criam uma penumbra, ele vai em direção ao microfone. Antes dá uma tragada. A Voz toma fôlego e solta com vigor os versos básicos dos insatisfeitos amorosos que procuram algum conforto no álcool: So drink up... Através da sofreguidão de quem relembra com dor e alguma embriaguez, Frank conta a todos que prestam atenção (inclusive eu, em pé em frente a tela) uma história de obsessão e deslumbramento não por uma mulher inteira: na verdade, só olhos realmente importaram. O piano e a letra se casam levemente numa onda de suave melancolia fácil de se embalar.

O clímax é perfeito: a tristeza de se lamentar ao invés de agir o leva embora antes do final. De costas para a luz e pro público, a última palavra sai distante porém nítida. A claridade continua, mas ele só volta após ó instante de conforto vencer. Pronto, fui pego.


Por sorte, meu pai ainda não havia voltado a tempo da cozinha e nenhum barulho da televisão ligada na sala ao lado havia me importunado. Ali, parado e sem lembrar do que estava fazendo, a melodia grudou na minha mente como aquelas que ouvimos e rezamos pra nunca memorizar e cair na rotina (aí vai de gosto em gosto). Após alguns segundos de letargia em que andava meio absorto pela casa desisti do banho e voltei pro computador pra ouví-la novamente. Daí pensei num estalo: "Não, pra que correr atrás de algo que veio sem ensaio? O mistério de não saber é mais sedutor, mais cativante do que saber tudo." Levantei e fui pro banheiro cantarolando.



O motivo é este:



Claro, após algumas semanas e outros trechos a incomodar, sempre voltava para a única indecifrável. Resolvi encontrá-la, tamanha minha determinação de embriagar-me musicalmente. Descobri que foi composta por Matt Dennis (música) e Earl Brent (letra), foi gravada pela primeira vez em 1958 por Frank Sinatra no álbum Only the Lonely, mas foi concebida cinco anos antes como trilha sonora para o filme Jennifer, estrelado por Ida Lupino e Howard Duff. Ele a regravou mais 3 vezes, sendo uma destas ainda inédita (não entrou para Duets II). A segunda versão está registrada em Sinatra at the Sands, primeiro álbum ao vivo do cantor e interessante pelas conversas e piadas entre o público/artista. A terceira e última saiu no Sinatra 80 Live In Concert, de 1995, sua despedida dos palcos.

Curiosidades de Sinatra at the Sands:
1) A orquestra de Count Basie (ao piano) foi arranjada e conduzida por Quincy Jones.
2) O palco do show foi o cassino Sands, onde Sinatra era cliente VIP e um dos acionistas na repartição dos lucros.


Vocês devem estar se perguntando: por que a palavra 'sina' no título se a canção lhe agrada tanto? Pois é, nunca gostei tanto de ser amaldiçoado e, afinal, quem não curte beleza como visita recorrente?

Claro, minha releitura favorita será sempre a que apresentei aqui, parte integrante de uma aparição do Ol' Blue Eyes na TV norte-americana no final dos anos 50. Porém a canção foi diversas vezes interpretada e aparece em registros de vários artistas, como Ella Fitzgerald e Bruce Springsteen.

Como recompensa e real consequência de terem lido este post, cá estão algumas destas performances que considero relevantes:



ELLA FIZGERALD

(admiro essa versão por ter muito do estilo da Ella, aqui ela não tenta parecer clássica ou módica, é Ella pura.)



QUARTETO

(quatro vozes e cinco trombones, uma introdução simples e sensual com canto empregnado de blues: ótimo)



IDOSO AMADOR

(algo quase country, talvez um blues, uma voz muito cálida e afinada)



BRUCE SPRINGSTEEN

(simplesmente lamentável, conseguiu estragar o andamento, a melodia e roubar a tristeza da letra logo na festa de 80 anos do Sinatra)


terça-feira, 1 de julho de 2008

UMA CONSTELAÇÃO NO HARLEM


Era verdade, realmente iria acontecer! Enquanto os contatos eram feitos para que tudo desse certo, os curiosos custavam a acreditar: os maiores jazzistas dos anos 40 e 50 ainda vivos numa única foto! Seria possível? Sim.

O Harlem, o berço do jazz e o maior bairro negro em Nova York, seria o lugar ideal, até porque muitos dos músicos moravam nesse bairro e dificilmente sairiam dele somente para uma fotografia. O ano de 1958 era, ao mesmo tempo, tarde e cedo para se encontrar alguns gênios já consagrados e outros ainda por serem ouvidos: Charlie Parker e Fats Waller já haviam deixado a vida para entrar na história; Thelonious Monk e Dizzy Gillespie eram referências no jazz desde o final dos anos 40 e continuavam no mesmo ritmo, enquanto Chet Baker, apesar do sucesso, ainda tinha muito que aprender.

Eu tinha 9 anos na época e era apaixonado pela música que ouvia nos rádios e nas calçadas, o som das big bands nos clubes em que entrava escondido, os amigos de meu pai que tocavam na famosa Rua 52. É complicado descrever a sensação de uma reunião de duas gerações de músicos na minha rua, os homens que inventaram o som que nunca parei de escutar estão em frente ao meu prédio!

Aos poucos eles foram chegando, alguns carregando seus instrumentos, outros apenas com as mãos ocupadas por cigarros e fósforos. Eram dez e meia da manhã e a maioria deles nem havia dormido desde a noitada do dia anterior: saíram direto dos seus clubes favoritos até aqui. Mas não é qualquer um que convenceria Coleman Hawkins e Charles Mingus a trocar uma boa manhã de sono para tal: se não fosse Herman Leonard, fotógrafo bastante conhecido no meio musical, duvido que alguém viria. O assunto das muitas conversas que surgiam entre eles entretinha aos meus amigos e eu mais do que as brincadeiras com o hidrante jorrando água. O que será que estariam conversando: discutindo uma nova composição, contando piadas, o que?

Todos começaram a se posicionar na escadaria do prédio por volta do meio dia, quando a luz do sol era mais intensa. Lembro-me bem que alguns discutiram por causa de seus lugares, queriam mais visibilidade na foto que entraria para os anais do jazz, mas Herman foi implacável: ditou o lugar de cada um e não houve quem reclamasse do seu depois disso.

Eu queria tanto participar também, ficar imortalizado por um segundo. Ouvi dizer que índios não gostam de tirar fotos porque acham que perderão suas almas ao terem seus rostos fotografados: eu acho isso uma grande besteira. Até pensaria na possibilidade de vender minha alma só para estar nessa fotografia, mas quem sou eu? Só um garoto da vizinhança...

Neste instante Herman achou que estava tudo muito formal, muitos ternos bem abotoados e sorrisos ensaiados, afinal, todos queriam sair bem. Ele pediu em voz alta para que todos se soltassem, abrissem alguns botões do paletó e relaxassem. E foi aí que meu momento apareceu: ele olhou para o outro lado da calçada, onde meus amigos e eu nos misturávamos à multidão curiosa, e pediu que as crianças viessem se sentar no meio fio. Lembro que saí correndo e me sentei. Até algumas crianças estranhas na vizinhança fizeram o mesmo. Nós apareceríamos! Estávamos tão nervosos que mal conseguíamos sorrir!

Herman abriu o tripé, apoiou sua máquina fotográfica nele, ajeitou as lentes e num flash registrou aquele instante sublime. Herman ainda tirou algumas outras fotos naquele dia, mas nenhuma se comparava com aquela reunião de estrelas do jazz. Hoje posso dizer com orgulho: uma constelação se reuniu no Harlem e eu estava lá.

sábado, 31 de maio de 2008

Atualização na lista

Gostaria só de postar aqui um pequeno esclarecimento sobre a lista dos lançamentos/ou quase. Bem a idéia inicial era atualizar ela semanalmente, e eu tinha boas intenção para com ela, mas eu não estou arrajando tempo.

Estamos pensando ( eu e Art) em chamar alguém só para fazer isso, já que nós (pelo menos eu) estamos com muitas coisas pra fazer. Porém isso são só planos, então não esperem uma atualização breve. Amanhã vou mexer nelas e tirar as velharias legais em prol das novidades, okay?

E era isso. Agora me sinto menos culpada.

quinta-feira, 29 de maio de 2008

Sofistas


Só para eu não sentir que desperdiço completamente meu o tempo naquela aula de português.

Amadurecimento dos games?

Eu estava dando uma olhada no site O Velho (de games e tal) e achei esse vídeo genial sobre conteudo sexual nos jogos. O vídeo além de ser bem coerente é muito engraçado. Vale a pena ver.

Obs. Infelizmente se você não sabe inglês não vai entender nada :(





Fonte: O Velho

terça-feira, 27 de maio de 2008

Fãs S.A.

Bem, primeira HQ que eu passei pro pc e arrumei :)

Pena que não consigo por maior, mas acho que dá para ver né?
Bem na pior nas hipoteses clique na figura e ela se abrirá em um tamanho maior.




Okay, é meu primeiro HQ digital, deêm um tempo! Tomei um pau do Gimp pra fazer isso!


domingo, 25 de maio de 2008

Balalaca

CASA

Sábado, nada pra fazer. Nada mesmo. Estranho o resto da minha semana foi uma correria, tio pra cá, tio pra lá, namorado pro outro lado, família, campo e bláblá. Loucura. E sábado calmo, muito calmo. Estranho, muito estranho.

Mas o meu tédio não durou muito tempo, às 13h43min meu celular começa a vibrar. Imagino que seja somente mais uma das mensagem de cobrança, mas não. É algo muito mais interessante do que isso. Era a mensagem de uma amiga - Renata - me convidando para ir para a Laika mais tarde, como eu não tinha mais nada pra fazer aceitei.

Chamei mais algumas pessoas, me arrumei e as 23h30 estávamos - eu e meus amigos - no carro a caminho da Laika. A festa começava as 23, então eu estava meio incomodada por sair tão cedo para uma festinha, mas a Renata teve ataques dizendo que a fila seria gigantesca. Então, mais por comodismo do que qualquer outra coisa, resolvi sair logo.

A FESTA

23:50- Sim, a fila realmente era gigantesca. Pior que estréia de Harry Potter, já que as fantasias das pessoas não eram realmente fantasias, o que é meio estranho se você parar pra pensar, mas enfim. Por sorte achamos conhecidos no inicio da fila e, brasileiros convictos que somos, não hesitamos em furar a fila. Mas isso não quer dizer que entramos logo, afinal se você nunca foi a Laika não tem idéia do ovo que é lá dentro. 300 pessoas lotam o salão com facilidade (sério) e eu acho que eu fui a pessoa 200 e alguma coisa a entrar (pobres do 301 em diante).

12:10- Passando a fase da fila insuportável - eu esperei 20 min, mas teve gente que esperou 2 horas! - veio a festa. Bem existia um tal de "trago russo" liberado até a uma hora. Sei lá eu o que era isso, preferi ignorar. As músicas estavam boas, as companhias agradáveis e eu me divertia, apesar do cheiro insuportável de cigarro e do calor escaldante. Bem legal.

1h - Okay, calor aumentando, a tal da bebida livre acabou, logo as pessoas já estão bêbadas. A música continua boa.

1h30 - Mando uma mensagem para uma amiga ( Vicky) e digo pra ela vir logo.

2h - As músicas ruins começam a tomar conta da festa e transformar aquele pequeno recinto cada vez mais parecido com um inferno: quente, promiscuo e com música ruim. Começo a me irritar levemente.

2h42 - A oitava música ruim seguida que toca, eu realmente não aguento mais, porém meus amigos parecem se divertir, não vou estragar a diversão ?

2h48 - Eu tento estragar a diversão, mas eles me ignoram. Droga.

3h10 - Vick chega, esperou 1 hora e pouco na fila, mas foi até lucro perto de outra conhecida que chegou a ficar 2 horas. Bobinha, não furou a fila. Tsc tsc para as pessoas honestas.

3h30 - A festa continua muito ruim. Dizem que botam o pagode porque é trash, mas eu acho que na verdade todo indie tem um pagodeirinho moleque dentro de si. Não gosto de pagodeiros., nem os interiores.

3h34 Pago a conta e tchau Laika, festa Babagaceira, bababaca e outras brincadeiras ruins com "baba".

3h36/3h42 - Tentamos acordar o cara do estacionamento que deveria, em tese, estar cuidando do nosso carro. Um detalhe, o portão da garagem estava aberto e o lugar da chaves também. Tri seguro.

3h46/4h20 McDonalds. Acho que Supersize Me não nos chocou. Sorry Art.

Hora indefinida - Casa, doce casa. Cama, linda cama. Pés, doloridos pés. Sono.

Droga de Balalaika!