terça-feira, 1 de julho de 2008

UMA CONSTELAÇÃO NO HARLEM


Era verdade, realmente iria acontecer! Enquanto os contatos eram feitos para que tudo desse certo, os curiosos custavam a acreditar: os maiores jazzistas dos anos 40 e 50 ainda vivos numa única foto! Seria possível? Sim.

O Harlem, o berço do jazz e o maior bairro negro em Nova York, seria o lugar ideal, até porque muitos dos músicos moravam nesse bairro e dificilmente sairiam dele somente para uma fotografia. O ano de 1958 era, ao mesmo tempo, tarde e cedo para se encontrar alguns gênios já consagrados e outros ainda por serem ouvidos: Charlie Parker e Fats Waller já haviam deixado a vida para entrar na história; Thelonious Monk e Dizzy Gillespie eram referências no jazz desde o final dos anos 40 e continuavam no mesmo ritmo, enquanto Chet Baker, apesar do sucesso, ainda tinha muito que aprender.

Eu tinha 9 anos na época e era apaixonado pela música que ouvia nos rádios e nas calçadas, o som das big bands nos clubes em que entrava escondido, os amigos de meu pai que tocavam na famosa Rua 52. É complicado descrever a sensação de uma reunião de duas gerações de músicos na minha rua, os homens que inventaram o som que nunca parei de escutar estão em frente ao meu prédio!

Aos poucos eles foram chegando, alguns carregando seus instrumentos, outros apenas com as mãos ocupadas por cigarros e fósforos. Eram dez e meia da manhã e a maioria deles nem havia dormido desde a noitada do dia anterior: saíram direto dos seus clubes favoritos até aqui. Mas não é qualquer um que convenceria Coleman Hawkins e Charles Mingus a trocar uma boa manhã de sono para tal: se não fosse Herman Leonard, fotógrafo bastante conhecido no meio musical, duvido que alguém viria. O assunto das muitas conversas que surgiam entre eles entretinha aos meus amigos e eu mais do que as brincadeiras com o hidrante jorrando água. O que será que estariam conversando: discutindo uma nova composição, contando piadas, o que?

Todos começaram a se posicionar na escadaria do prédio por volta do meio dia, quando a luz do sol era mais intensa. Lembro-me bem que alguns discutiram por causa de seus lugares, queriam mais visibilidade na foto que entraria para os anais do jazz, mas Herman foi implacável: ditou o lugar de cada um e não houve quem reclamasse do seu depois disso.

Eu queria tanto participar também, ficar imortalizado por um segundo. Ouvi dizer que índios não gostam de tirar fotos porque acham que perderão suas almas ao terem seus rostos fotografados: eu acho isso uma grande besteira. Até pensaria na possibilidade de vender minha alma só para estar nessa fotografia, mas quem sou eu? Só um garoto da vizinhança...

Neste instante Herman achou que estava tudo muito formal, muitos ternos bem abotoados e sorrisos ensaiados, afinal, todos queriam sair bem. Ele pediu em voz alta para que todos se soltassem, abrissem alguns botões do paletó e relaxassem. E foi aí que meu momento apareceu: ele olhou para o outro lado da calçada, onde meus amigos e eu nos misturávamos à multidão curiosa, e pediu que as crianças viessem se sentar no meio fio. Lembro que saí correndo e me sentei. Até algumas crianças estranhas na vizinhança fizeram o mesmo. Nós apareceríamos! Estávamos tão nervosos que mal conseguíamos sorrir!

Herman abriu o tripé, apoiou sua máquina fotográfica nele, ajeitou as lentes e num flash registrou aquele instante sublime. Herman ainda tirou algumas outras fotos naquele dia, mas nenhuma se comparava com aquela reunião de estrelas do jazz. Hoje posso dizer com orgulho: uma constelação se reuniu no Harlem e eu estava lá.

sábado, 31 de maio de 2008

Atualização na lista

Gostaria só de postar aqui um pequeno esclarecimento sobre a lista dos lançamentos/ou quase. Bem a idéia inicial era atualizar ela semanalmente, e eu tinha boas intenção para com ela, mas eu não estou arrajando tempo.

Estamos pensando ( eu e Art) em chamar alguém só para fazer isso, já que nós (pelo menos eu) estamos com muitas coisas pra fazer. Porém isso são só planos, então não esperem uma atualização breve. Amanhã vou mexer nelas e tirar as velharias legais em prol das novidades, okay?

E era isso. Agora me sinto menos culpada.

quinta-feira, 29 de maio de 2008

Sofistas


Só para eu não sentir que desperdiço completamente meu o tempo naquela aula de português.

Amadurecimento dos games?

Eu estava dando uma olhada no site O Velho (de games e tal) e achei esse vídeo genial sobre conteudo sexual nos jogos. O vídeo além de ser bem coerente é muito engraçado. Vale a pena ver.

Obs. Infelizmente se você não sabe inglês não vai entender nada :(





Fonte: O Velho

terça-feira, 27 de maio de 2008

Fãs S.A.

Bem, primeira HQ que eu passei pro pc e arrumei :)

Pena que não consigo por maior, mas acho que dá para ver né?
Bem na pior nas hipoteses clique na figura e ela se abrirá em um tamanho maior.




Okay, é meu primeiro HQ digital, deêm um tempo! Tomei um pau do Gimp pra fazer isso!


domingo, 25 de maio de 2008

Balalaca

CASA

Sábado, nada pra fazer. Nada mesmo. Estranho o resto da minha semana foi uma correria, tio pra cá, tio pra lá, namorado pro outro lado, família, campo e bláblá. Loucura. E sábado calmo, muito calmo. Estranho, muito estranho.

Mas o meu tédio não durou muito tempo, às 13h43min meu celular começa a vibrar. Imagino que seja somente mais uma das mensagem de cobrança, mas não. É algo muito mais interessante do que isso. Era a mensagem de uma amiga - Renata - me convidando para ir para a Laika mais tarde, como eu não tinha mais nada pra fazer aceitei.

Chamei mais algumas pessoas, me arrumei e as 23h30 estávamos - eu e meus amigos - no carro a caminho da Laika. A festa começava as 23, então eu estava meio incomodada por sair tão cedo para uma festinha, mas a Renata teve ataques dizendo que a fila seria gigantesca. Então, mais por comodismo do que qualquer outra coisa, resolvi sair logo.

A FESTA

23:50- Sim, a fila realmente era gigantesca. Pior que estréia de Harry Potter, já que as fantasias das pessoas não eram realmente fantasias, o que é meio estranho se você parar pra pensar, mas enfim. Por sorte achamos conhecidos no inicio da fila e, brasileiros convictos que somos, não hesitamos em furar a fila. Mas isso não quer dizer que entramos logo, afinal se você nunca foi a Laika não tem idéia do ovo que é lá dentro. 300 pessoas lotam o salão com facilidade (sério) e eu acho que eu fui a pessoa 200 e alguma coisa a entrar (pobres do 301 em diante).

12:10- Passando a fase da fila insuportável - eu esperei 20 min, mas teve gente que esperou 2 horas! - veio a festa. Bem existia um tal de "trago russo" liberado até a uma hora. Sei lá eu o que era isso, preferi ignorar. As músicas estavam boas, as companhias agradáveis e eu me divertia, apesar do cheiro insuportável de cigarro e do calor escaldante. Bem legal.

1h - Okay, calor aumentando, a tal da bebida livre acabou, logo as pessoas já estão bêbadas. A música continua boa.

1h30 - Mando uma mensagem para uma amiga ( Vicky) e digo pra ela vir logo.

2h - As músicas ruins começam a tomar conta da festa e transformar aquele pequeno recinto cada vez mais parecido com um inferno: quente, promiscuo e com música ruim. Começo a me irritar levemente.

2h42 - A oitava música ruim seguida que toca, eu realmente não aguento mais, porém meus amigos parecem se divertir, não vou estragar a diversão ?

2h48 - Eu tento estragar a diversão, mas eles me ignoram. Droga.

3h10 - Vick chega, esperou 1 hora e pouco na fila, mas foi até lucro perto de outra conhecida que chegou a ficar 2 horas. Bobinha, não furou a fila. Tsc tsc para as pessoas honestas.

3h30 - A festa continua muito ruim. Dizem que botam o pagode porque é trash, mas eu acho que na verdade todo indie tem um pagodeirinho moleque dentro de si. Não gosto de pagodeiros., nem os interiores.

3h34 Pago a conta e tchau Laika, festa Babagaceira, bababaca e outras brincadeiras ruins com "baba".

3h36/3h42 - Tentamos acordar o cara do estacionamento que deveria, em tese, estar cuidando do nosso carro. Um detalhe, o portão da garagem estava aberto e o lugar da chaves também. Tri seguro.

3h46/4h20 McDonalds. Acho que Supersize Me não nos chocou. Sorry Art.

Hora indefinida - Casa, doce casa. Cama, linda cama. Pés, doloridos pés. Sono.

Droga de Balalaika!

sábado, 17 de maio de 2008

Violet

Mais uma noite fria em Paris. Eu estava ficando sem cigarros. Tinha que sair desse apartamento, esticar as pernas e comprar um maço. Olho pela janela ao meu lado, nada, só chuva. Pego meu penúltimo cigarro de dentro do bolso e me atiro na pior poltrona em que já tive o desprazer de descansar.

Tiro do meu bolso o relógio de ouro que foi de meu pai e passo a contemplá-lo. Verifico a assinatura Aldebert atrás dele e tento polir ela novamente com o casaco, afinal ela baixa o valor do objeto e aumenta o meu mal estar. Mas não adianta ela continua no mesmo lugar.

Não sei se o mantenho por ser a única herança que meu pai me deixou, ou porque me dá uma espécie de status entre meus parceiros de farra. Mas prefiro acreditar que é só a lembrança de meu pai que me impede de aposta-lo em um jogo qualquer, do que encarar a realidade. A pobre realidade, se é que me entende. Não que ter dinheiro e luxos fosse o objetivo de minha vida, alias bem pelo contrario. A boêmia e a busca do prazer sempre foram os meus caminhos e deles eu nunca abriria mão. Até que a conheci, Violet.

Ah Violet, a mulher de minha vida! A vi numa vitrine, em uma rua movimentada da cidade, e resolvi checar mais de perto sua beleza. Ao me aproximar vi que sua beleza abalada pela tristeza, seu grande olho escuro ficou me encarando docemente, como me suplicando que a levasse daquele lugar. Mas eu nada podia fazer a não ser sussurrar desculpas e tocar minha mão no vidro que nos separava. E logo comecei a passar por aquela rua todos os dias, no mínimo três vezes por semana. Algumas vezes chegava a passar doze vezes, mas só quando acabavam meus cigarros. E o que era um desejo se tornou uma obsessão, eu só pensava nela, só falava nela e deixava de sair para os barzinhos para ficar do outro lado da rua sentado em um banco à observando. Um simples olhar se tornou uma paixão obsessiva.

A vozinha que vive em minha cabeça sussurrava maldosamente todo o tipo de comentário para me deprimir e me fazer desistir de tal empreitada. Dizia que ela era fina e elegante demais para mim. Que estava acostumada com todo o tipo de mimo e somente os mais ricos poderiam lhe oferecer tais tratos. Quem era eu além de um simples vagabundo que não tenho nem onde cair morto? E, finaliza com dureza, você sabe que não tem o direito de se apaixonar por tal anjo.

Virei motivo de piada para meus amigos, que se riam de meu amor por Viollet. Julgavam-me por louco, que a bebida finalmente tinha se tornado meu sangue e, portanto, eu estava sempre embriagado. Enquanto as ofensas eram só voltadas a mim nada fiz, afinal eu não tinha mais amor próprio, tudo era para o meu anjo de voz grave. Mas no momento em que um dos meus companheiros se atreveu a chamar minha amada de trambolho inútil me enfureci. Atirei-me em cima do infeliz e me pus a bater nele com todas as forças que eu tinha. Fui expulso do bar e chamado de louco tarado pelos clientes do bar, meu ex-amigo estava desacordado no chão banhando em sangue e perdi naquela noite os meus companheiros de patuscadas. Mas mantive a honra de Viollet e era só isso que interessava.

Minha obsessão aumentava cada vez mais e em uma noite de inverno visualizei o meu primeiro rival. Um homem de cartola, vestido com as roupas da moda, com um monóculo em seu olho esquerdo e uma barbicha que terminava em ponta, cuidadosamente escovada. A raiva fervilhou em meu interior quando ele pôs as mãos imundas dele e olhou lascivamente para meu anjo. Ele a manuseou como um objeto, tocando em todas as suas partes e a devolveu à vitrine. Vi seus lábios repugnantes dizer que talvez voltasse no dia seguinte para buscá-la, afinal foi a que mais agradou o seu gosto.

O homem-barbicha saiu da loja e começou a caminhar em direção ao centro e eu o segui. Já era tarde e como era inverno não tinha ninguém andando pelas ruas. Tirei o pequeno punhal que carregava sempre comigo e comecei a apertá-lo com força. Nunca pensei em me tornar em assassino, mas por Viollet eu desceria até o inferno.

Ele viu que eu o seguia e entrou em um beco. Erro dele, o beco era sem saída e enquanto ele me implorava misericórdia eu o preveni: fique longe de Viollet e pouparei sua vida. O Barbichinha disse que não conhecia nenhuma mulher com esse nome e o chutei no estômago, preveni-o mais uma vez: Não volte aquela loja, ou te matarei. Nunca mais vi aquela barbicha.

Outros surgiram, mas eu afugentava todos. Mas o tempo passava e me parecia que minha amada ficava cada vez mais solitária. Eu tinha que tirá-la de lá. Mesmo que isso custasse tudo que eu tinha.

Aí voltamos ao dia de hoje. Olho de novo pela janela, nada. O cigarro que eu estava fumando queimou no cinzeiro, mas eu já estou acendendo outro. Logo ele vai chegar e aí eu a terei. Passam meia hora, uma hora, duas horas, três horas e quando eu começo a achar que ele não virá ouço uma batida na porta. Ótimo, eu já estava sem cigarros. Abro a porta e um homem de proporções grandes entra em minha casa, de aspecto sujo e com uma barba rala ele pede para ver o relógio. Entrego o meu único bem valioso e ele o observa.

Ele me oferece dois mil francos. Eu preciso de dois mil e setecentos, então peço no mínimo três mil. Negociamos por mais algum tempo até que se chega ao preço de dois mil e oitocentos. Ótimo, saí lucrando. Despeço-me do vigarista e espero-o ter desaparecido da minha janela para sair correndo do meu apartamento em direção à loja.

A vozinha má fica a me dizer que alguém já a levou, e que agora outra pessoa já esta a desfrutar de seu amor e carinho, enquanto tinha acabado de perder tudo que eu tinha herdado de meu pai. O desespero estava me deixando louco, eu corria pelas ruas de Paris.

Parei em frente à loja e lá estava ela, me esperando como uma noiva espera seu amado. Meu coração se encheu de emoção, enfim a espera tinha terminado e não tinha sido em vão. Entrei pela primeira vez na loja e vi o vendedor que eu tinha visto tantas vezes fechar a loja durante a noite. Cumprimentei-o e ele pareceu meio apreensivo, talvez pela minha aparência tenha me tomado como um malandro qualquer e ficou com medo de roubo. Mas eu o acalmei, disse que vim pegar Viollet para mim e botei o dinheiro no balcão. Ele não ouviu direito, pois seus olhos estavam concentrados no dinheiro e me perguntou:

- Desculpe, pode repetir o que o senhor quer?

Impaciente como eu estava não queria ficar me explicando, falei que queria aquela beleza de voz grave na vitrine. Acenou a cabeça para mim e com um sorriso em seu rosto foi logo buscar Viollet para mim. Voltou com ela dentro de seu estojo de couro e me recomendou:

- Deixe ela sempre ao ar livre para que possa respirar melhor e não entorte, certo?

Concordei e entreguei o dinheiro para aquele homem que ainda sorria. Queria finalmente ficar a sós com minha noiva. Sentir seu braço firme e longo pronto a ser segurado com delicadeza pelo meu. Só de pensar em seu corpo, perfeitamente esculpido com a maestria do carpinteiro dos céus, pronta a ficar presa entre minhas pernas enquanto eu a toco bem devagar, ouvindo cada sussurro que ela me oferece. E seu cheiro! Cheiro de Mogno, cheiro de terra! Que combina perfeitamente com sua tez dourada como o mel. Ah! Viollet você finalmente é minha!

Tiro o meu guarda-chuva de dentro do meu casaco e protejo minha amada da chuva, agora torrencial, enquanto esperamos um coche passar. E sorrio como nunca.

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Dentro da loja o pequeno vendedor coça sua barba e sorri observando o estranho homem que acabará de levar o violoncelo da vitrine. Sua mulher desce as escadas da loja de música, segue os olhos do marido e pergunta chocada:

-Mas que diabos aquele homem está fazendo?! Está se molhando para proteger o Violoncelo? Por que ele está beijando a caixa?

Ainda sorrindo o vendedor diz:

-O amor não conhece fronteiras.

terça-feira, 6 de maio de 2008

Novos dias, novas histórias

Hoje, segunda-feira, é que consigo lembrar com mais clareza o que realmente aconteceu na madrugada de sexta passada.

Depois do convite de Mét Green para irmos numa festa junto com seu namorado e duas amigas, eu, Art Davis, que sou bastante avesso à festas, pensei: “Caramba, se essa chuva não der trégua eu não vou.” Porém, as palavras insistentes de Mét me deixaram curioso tanto a respeito do lugar quanto da música que seria tocada por seus amigos músicos: um rock crounch, que por acaso não sei o que significa.

E chuvia. Na verdade, o céu se desfazia em gotas d’água e ventos de mais de 100 km/h: acreditem, era um ciclone extratropical que sacudia o clima da capital gaúcha e redondezas. Sob um céu negro de tantas nuvens, qualquer pessoa sã preferiria ficar em casa debaixo das cobertas, protegido do frio, mas nós não! Qual seria a graça? Que histórias dos tempos inconseqüentes de juventude contaríamos aos nossos filhos?!

Saímos. Lembro bem que fui com uma calça preta, uma camiseta e um casaco de couro que gosto de usar pouco, pra não gastar. Fiquei com um visual bem anos 60, quase final dos 50, meio estilo James Dean. Vou ser bem sincero, não lembro a roupa que as outras pessoas estavam usando: não sou tão detalhista assim.

Chegamos. O lugar se chama Laika e é um local pequeno, freqüentado, na maioria, por amigos do DJ ou dos músicos da banda, que era o nosso caso.

Começamos a beber. Cara, se soubéssemos como terminaríamos a noite não teríamos tanta sede. Logo de entrada já fomos pedindo uma cerveja long neck, uma caipirinha e uma cuba libre e cada um foi bebendo um pouco do drinque do outro. Enquanto isso, tocava algumas músicas que me lembravam muito o punk, ás vezes um Nirvana ou algo mais gritado, mas o que eu entendo de rock?

As pessoas foram chegando. Aos poucos o público começava a se formar e o pequeno espaço a se lotar. Então, de repente e não mais que de repente, chegam os amigos de Mét que iriam tocar naquela noite junto com outras duas bandas, como se fosse um pequeno festival.

Logo depois de chegarem, tomarem algumas bebidas e se aquecerem, os músicos da Tom Enola se posicionaram no palco: um canto reservado com a bateria, alguns amplificadores e uma mesa de som básica no canto esquerdo ao fundo. O público percebeu a movimentação e já se moveu em volta do palco. Eu fiquei bem à direita, do lado de um amplificador.

Começa o primeiro show. O ritmo que começa lentamente é quase um suspense para os ouvintes que esperam a canção alçar vôo. Quando realmente começa, a primeira mensagem que corre no meu cérebro é a de que a noite finalmente havia começado e não tinha absolutamente nada com que me preocupar, nada mesmo. Foi estranhamente incrível, uma pequena sensação atemporal de liberdade, como se o pedaço de mundo que não estava lá estivesse mais vagaroso. Eu olhava cada movimento que eles faziam, cada troca de acorde na guitarra, cada mudança de nota no baixo: era tudo tão fácil, tão ao vivo!

Depois de algumas canções fui até o banheiro e percebi algo até então inédito na minha vida: eu estava surdo do ouvido direito! Nem o habitual zumbido se manifestava do lado direito da minha cabeça! Isso foi meio assustador, mas tive minha cota de culpa: pô, do lado do amplificador! A parte mais engraçada da noite se deu quando Mét gritava algo o mais alto possível e eu não distinguia nada, como se um vácuo entre meu ouvido e sua garganta, impossível sair algum som dali. Hehehehe, até lembrando é engraçado....

A noite continuou. Bebi mais, me diverti mais e ouvi menos. Quando a segunda banda entrou me posicionei perto do palco (não como antes, óbvio) para absorver a arte de tocar entre amigos. É isso que mais gosto num show, o espírito de irmandade entre os artistas, a troca de olhares, a energia fluindo das mãos e das vozes, uma coisa que somente a música pede e devolve: entusiasmo. Não é à toa que prefiro gravações ao vivo.

A última formação comparece ao púlpito musical. Desculpe-me, mas não me recordo tão fielmente sobre a música e como me senti em relação a ela, estava mais preocupado com o barato que o álcool consumido em doses ‘razoavéis mas saudáveis’ proporciona. Não era enjôo nem dor de cabeça, pelo contrário, uma sensação de falta de gravidade, de pensamento e corpos livres, uma ausência de libido deliciosa. Calma, não sou de dar vexame, vocês não ouvirão fofocas sobre meu comportamento exemplar.

O baterista cansado se levanta. Eram quase 4h da manhã e já nos apressávamos em sair antes que todos tivessem a mesma idéia e tudo se congestionasse. Pagamos rapidamente e enfrentamos a chuva que não pensava em cessar tão cedo. Corremos algumas quadras pulando poças e cuidando para não cair nada do bolso durante a prova de obstáculos. Ao chegarmos no estacionamento entramos no carro e tentamos não desmaiar ou vomitar dentro no carpete do Thiago. Já que a bebida não podia ficar sozinha na barriga fomos ao McDonalds mais próximo, o da Silva Só. Viu, você pode visitar os lugares que fizeram parte da história!

Como sou contra o fast-food produzido no McDonalds, não comi nada... ok, algumas batatinhas fritas, mas foi só, continuo firme às minhas convicções!
Conversa vai, hambúrgueres vêm e estávamos alimentados. Ao olhar para fora, a janela embaçada e as árvores querendo se libertar do chão nos motivaram a matar algum tempo ali dentro, onde era quentinho e tinha mais comida.

A luz cai. Algumas pessoas presentes reclamam, já os funcionários comemoram, afinal, não dá pra trabalhar sem energia. Festejam bem pouco com a luz voltando 40 segundos depois. As exclamações se invertem. A chuva parece diminuir e vamos correndo de volta pro carro.

Um obstáculo: uma árvore caída há alguns metros. Mét, que é uma mulher corajosa e independente disse:
- Ah, não vou fazer a volta.
Pensei “ué, por que não?” Então ela humilha:
- Deixa que eu tiro do meio da rua.
Minha reação foi de espanto, será que ela iria conseguir?!
Acreditem, conseguiu. Thiago deu uma mão, é verdade, mas a iniciativa de Mét foi no mínimo inesperada e muito eficaz: o caminho ficou menor.

Graças à carona, cheguei são e salvo. Despedi-me de todos no carro e fui lentamente andando até minha cama... quer dizer, meu apartamento. A rua estava deserta e caía uma garoa fina, lá pelas 5h de sexta pra sábado. Tirando a roupa molhada e fedendo a cigarro, caí no colchão com uma leve dor de cabeça e enjôo. Todos as grandes noites vem com grandes e satisfeitas olheiras no dia seguinte.

Obras na Eudoro Berlink atrapalha moradores

Desde 2003 reformas constantes nas ruas do Mont’Serrat, atrapalham e incomodam moradores ao causar desvios, mudanças de sentidos e bloqueios nos principais acessos à região.

O trecho da Eudoro Berlink entre a Comendador Rheingantz e a Carlos Strein Filho está bloqueada ao trânsito de automóveis e pedestres em razão das obras da implantação da drenagem pluvial realizada pelo Departamento de Esgotos Pluviais (DEP) que busca evitar que ruas como a Av. Goethe alaguem em dias de chuva.

Mas para os moradores do bairro, que enfretam a cinco anos de obras e desvios de suas ruas, essa reforma é mais um problema ao tentar chegar ou sair de casa, pois um dos principais acessos para a região, Eudoro Berlink, foi interditada novamente, causando transtorno e caos para os motoristas e pedestres que circulam pela região.

“Com as obras eu não consigo chegar no meu prédio, tenho que fazer voltas gigantes, ir até a Mariland e pegar várias ruazinhas pra chegar em minha casa, quando normalmente é só subir aquela rua ( Carlos Strein).” Afirma a moradora Marcella Zanch, 20 anos. Ela também reclama que o bairro está sempre em obras e nunca sabe por qual caminho irá voltar para o edifício onde mora e não sabe o porquê da nova reforma.

O operário, Tedilson Luis da Costa, 34 anos, que trabalha nesta obra informou que o objetivo da obra era melhorar os dutos de esgoto da região e acreditava que ela demoraria duas semanas para ser finalizada.

O Departamento de Trânsito e Transporte não pode fornecer nenhum dado sobre a reforma ao atendimento pelo telefone. Para obter informações deve-se ir até a sede na Érico Verissímo e pegar um protocolo, o que dificulta o acesso à informação aos moradores. Que acabam não sabendo que incômoda obra é para evitar alagamentos e melhorar a qualidade de vida de quem reside em Porto Alegre.


quarta-feira, 30 de abril de 2008

Experimento 1, acompanhando esportes na TV

Fiquei alguns dias sem postar, mas a minha demora se deu pelo fato que o rewiew que estou preparando para o jogo Bully: Scolarship Edition está demorando mais que o previsto. Ainda não acabei a analise pois o meu tempo para jogar está realmente curto, mas pretendo ainda neste final de semana zerar o jogo e terminar o texto. Porém hoje pretendo postar só sobre esportes que vi durante a tarde de hoje, mesmo que está não seja minha área de interesse e conhecimento.

Comecei sintonizando na ESPN para ver a partida Liverpool x Chelsea na Liga do Campeões. Tenho que admitir que isso não foi um sacrifício já que torço abertamente para o Liverpool e queria ver esse jogo. Mas a minha alegria durou pouco, já que o meu time perdeu na prorrogação para o Chelsea de 3x2. Fiquei bem frustrada com Liverpool pois um empate seria o suficiente para que o time da terra dos Beatles se classificasse para a final da Liga do Campeões. Mas C'est la vie.

Logo após comecei a ver o jogo do Boca Juniores x Cruzeiro, no qual o Cruzeiro já perdia de 1x0 para o Boca, com um gol de Riquelme. Mas o jogo estava muito chato ( jogadores feios, sem glamour, jogo retrancado) então abandonei o jogo e fui procurar outro evento mais interessante.

Agora estou acompanhando no X Games Brasil uma competição Skate - esporte que decidamente não é da minha alçada - e cheguei a conclusão que jogar Tony Hawk no Playstation 1 é muito mais divertido e fácil. Viva os video games e as manobras impossíveis e empolgantes!

Depois desse dia altamente "esportivo" vou mudar para os meus queridos canais de seriados e filmes. A experiência foi interessante mas definitivamente jornalismo de esportes não é a minha especialidade.

sexta-feira, 18 de abril de 2008

Pegue a pipoca, o guaraná e viva o alfabetismo!

Eu estava outro dia zapeando entre os canais da TV paga e tomei um susto, canais que antes eu costumava ouvir na sua língua original estavam dublados! Eu fiquei chocada e irritadissíma, pois em alguns deles não existe nem a função SAP e eu realmente detesto programas dublados. Como contornei a situação? Desliguei a TV e fui procurar no youtube o capitulo que eu estava vendo, na língua original, claro.

Mas depois parando pra pensar me dei conta que eu tinha perdido mais uma batalha no domínio da TV e filmes. Nesses últimos 3 anos começou uma espécie de "revolução anti-cultural" na qual grandes empresas verificaram que filmes dublados são acessíveis a todas as camadas da sociedade, logo é muito mais viável financeiramente lançar algo que todos possam ver. Mas no aspecto cultural com certeza não é. É a ignorância sobrepondo-se a cultura.

Não saber ler deveria ser a excessão e por isso não deveria haver um incentivo nesse sentido. Desculpas como "as letras passam muito rápido" ou "não consigo prestar atenção nas imagens" são desculpas de analfabetos funcionais que deveriam ser instigados a estudar e melhorar seu desempenho. Não saber ler deveria ser a excessão e não o padrão.

Posso até estar sendo exigente demais para um país em somente 26% da população entre 15 e 64 anos dominam plenamente a leitura e a escrita (INAF, 2007), mas um incentivo a essa deficiência é com certeza um absurdo.

Porque aprender a ler se tudo é facilitado para quem não lê? Porque ler um jornal de 50 paginas muito bem escrito, se as mesmas noticias são dadas em um jornal meia boca de 20 paginas? Afinal, o de 20 páginas deve ser mais barato, mais rápido e mais simples e estará dada a informação! Não é maravilhoso?

Não, não é. Ao comprar e aumentar a receita de jornais mal escritos, filmes (mal) dublados ou até programação paga dublada você está dando receita e incentivo para que empresas façam cada vez mais isso, esquecendo-se tem quem gosta e precisa de qualidade e informação completa. É uma pena que cultura está cada vez mais se tornando um luxo, onde só quem tem dinheiro e disposição consegue penetrar.


Obs. Sabe quantas pessoas leram isso até o final? Talvez uma, porque temos poucos leitores e porque as pessoas não gostam de ler textos longos na internet ( ou qualquer outra mídia). Isso inclui até outros jornalistas. Muito triste isso.

domingo, 13 de abril de 2008

A Última Boneca Russa

Há menos de uma hora vi um filme que tenta explicar o amor. Claro, não conseguiu plenamente, mas esclareceu muitos pontos a respeito do convívio entre as pessoas que se amam, o quanto o amor é esmagador no cotidiano.

Bonecas Russas (Lês Poupées Russes, 2005) começa com o personagem principal, Xavier (se pronuncia Raviér), num trem, escrevendo no laptop suas histórias e aventuras amorosas até então. Antes mesmo de uma linha ser escrita, a bateria acaba e ele se vê obrigado a procurar uma fonte de energia: o lugar mais próximo é a tomada do banheiro. Sentado em cima do vaso e com o computador apoiado nos joelhos, ele começa contando o instante mais revelador, o seu nirvana dos relacionamentos.

Claro que não irei contá-lo aqui, até porque ficaria infantil e fora de contexto, mas ao longo da trama, que serve de introdução a essa lembrança, o peso e a necessidade de ostentar para o mundo que estamos bem e felizes é sufocante: a paixão deve ser obrigatória a todos, queiram eles ou não. O núcleo que mais expressa isso é a da relação de Xavier com seu avô, que insiste em conhecer a namorada (que não existe) do neto. Se não tivermos momentos mágicos para nos vangloriar aos outros passamos uma idéia de ‘pagão afetivo’, como se fôssemos marinheiros ninfomaníacos!

As várias mulheres que lhe proporcionaram sexo e pequenas doses de carinho (não amor, com exceção da última) somente trouxeram frustração ao pobre discernimento do anti-herói: uma ex o suportava por medo de ficar sozinha; a segunda e a terceira eram só beleza: rosto e corpo incríveis (tenho que concordar), mas é só. Um dos melhores momentos do filme é quando a mulher com quem está saindo vê a ex dele saindo de sua casa: a discussão que se segue mostra o quanto as mulheres são especialistas em confundir a cabeça do homem com suas próprias palavras. Apesar de ser pisado por essas mulheres, Xavier não guarda suas palavras para si: fala com sinceridade e com certa arrogância, sem pensar no que virá. Enfim, só se enrola mais, porém desanuvia a raiva.

Outro fator que traduz a incompatibilidade entre os dois sexos é a língua: três idiomas são falados por diferentes personagens durante a trama, são eles o russo, o francês e o inglês. Isso contribui para o esforço de ambos os lados chegarem a um entendimento mútuo e então poderem se amar (ou brigar). O fato de Xavier ter que viajar diversas de Paris a Londres e vice-versa, tanto a trabalho como pra a infidelidade, servem como metáfora, um modo simples de mostrar o cotidiano impedindo um contato mais próximo entre os amigos ou amantes. Os diferentes níveis de intimidade dos personagens sejam ingleses, franceses ou russos (sim, também há o núcleo russo) ditam os dilemas sentimentais clássicos e fúteis do amor “será que é ela a garota perfeita pra mim?”.

Ah… amour!....
Oh... love!…
Ah….любовь!...

Ao contrário do que o filme todo indica, o amor é possível! Na verdade, esse processo doloroso e exaustivo da procura do amor perfeito só nos ajuda a perceber que ela, a paixão, prevalece se investirmos nas pessoas certas e seguirmos o que o destino nos manda.

...

Hahahahahah!!! Não acredito que fiz vocês lerem isso!!! Um parágrafo como este só serve para provar que todos somos seres totalmente fracos e falíveis, que o destino pode e deve nos ajudar a qualquer custo! Isso é um absurdo em massa!
Ok, ok, as coisas podem dar certo, mas só através de muito esforço, de persistência. Nada cai do céu e se caiu está podre. Tomemos Xavier como exemplo: mesmo depois de sacaneado e usado pelas mulheres que conheceu, quando encontrou a fêmea que o entendia lutou por ela, mesmo quando tinha outra mais bonita em mente a seu alcance. Isso sim se chama amor, aquilo que nós corremos atrás e conquistamos com convicção e não o que é dado de presente, simplesmente.

Pois é, essas metáforas e diálogos da película me fizeram pensar. Não sobre o amor (psss, o amor...), mas sim sobre a imagem afetiva que transmitimos: esta camada carente. Uau, como é triste alguém se sentir inútil diante de outro alguém que não se parece conosco, tudo em nome da companhia, a não-solidão. Acho que a idéia de solidão é mal trabalhada, afinal, quem quer ficar sozinho é um pergunta que muitos respondem ‘eu!’ com um grande grito. O lugar escolhido por Xavier para contar sua história é no banheiro, o máximo de privacidade que alguém pode ter: isto não nos diz nada?

Assim como disse Xavier: “Quando estamos sozinhos desejamos alguém. Quando estamos acompanhados nos afundamos em perguntas se a vale a pena se entregar para aquele desconhecido.” Afinal o que queremos?!
- Poxa, sei lá meu....

É, vejo que o único momento de solidão espontânea e intimidade genuína que temos é sentado no vaso, apoiado nos joelhos.
Se quiser saber mais sobre o filme, assista o trailer e depois o próprio filme!
Trailer: o som tá um pouco atrasado, mas dá pra acompanhar.
P.S.: Há uma menção a Porto Alegre neste filme. Quando a personagem de Audrey Tautou(de O Fabuloso Destino de Amélie Poulan, um dos filmes favoritos de Mét Green) viaja para o Fórum Social Mundial, ela vêm a capital gaúcha e deixa o filho com Xavier. Ao voltar só fala coisas boas sobre o evento. O filme foi rodado em 2005, na época que o Fórum ainda acontecia em POA.

quinta-feira, 10 de abril de 2008

Cá estou 'yo'

Pois é, depois da pequena introdução de Mét Green (aliás, muito obrigado), aqui se apresenta Art Davis, sem muita vaidade e com muitas aspirações.

Não tenho muito o que dizer sem demonstrar um profundo desejo de me sacarem no momento que comentar o que vejo, leio, escuto ou pondero. Então se acostumem com poucos rostos e muitas personalidades vacilantes me procurando nas entrelinhas.


Abraço.

Assalto Visceral

Ó Brasil, hóspede de tantas maravilhas, de tantos turistas!
Ó esquina boêmia: de dia ponto de ônibus, de noite parada de notívagos honestos ou não!
Ó bossa nova, que canta nossa terra no passado; ó funk, que nos ridiculariza no presente!

Desculpe, mas tive que colocar esse pequeno pensamento sincero antes de escrever qualquer coisa... Bom, talvez ajude mais adiante.

Uma manhã, um assalto, uma vítima: foi isso que aconteceu. Uma violação é o que permanece depois e principalmente agora na sua epiderme cerebral. Teu amigo, teu pai, tuas amigas sabem e compartilham essa alucinação espantosa contigo, porém somos perfeitos no início e tudo só começou agora.

***

A noite mal dormida te freia os sentidos, te adormece os lábios depois de um 'bom dia' esforçado, um que você queira que realmente seja bom, mas o sono não deixa. Desce as escadas refletindo no último comentário que disse a mãe no quarto se arrumando, uma tranqüilidade que vai precisar o resto do dia. Fecha o portão ainda de costas pra rua suplicando por mais um gole de café que ficou na caneca, um livro que ontem faltou apenas seis páginas pra ler. Vira-se num click para o meio-fio: um dia igual, uma comoção em lembrar que irá conversar muito, porém terá que suportar alguns párias pelo caminho.

Enquanto suas lembranças se mexem devagar, uma cidade inteira passa por ti através de rostos desconexos e normais, todos nós somos culpados por nossas distrações. Antes que alguém tome nossa total atenção durante 3 segundos ao atravessar a calçada, uma sombra vadia faz o trabalho sujo do destino (ou de Deus, ainda não sei) e te imobiliza. Teus braços ficam imóveis, teus sentidos mais reprimidos alcançam o bairro todo. Uma ação simples e inesperada da sombra ecoa no corpo todo, um formigamento, uma reação totalmente esperada: a impotência.

Bens nem tão preciosos são arrancados numa velocidade que perturba a esperteza do mal, porém são bens, são teus, seja o que for! O executivo luxuoso vestido de vermelho no teu ombro esquerdo diz: “Que isso? Vai deixar assim por menos?! Reaja homem!” O pastor velho de branco no direito explica: “Não deixe o dinheiro te gastar. Pense com velocidade, haja com calma.” O que existe no meio do yin e o yang? Confusão e um pouco de confissão.

1) Confusão: levanto, saio de perto ou fico no mesmo lugar? É esse o momento que sempre esperei para ser corajoso ou me entrego hoje pra lutar amanhã?
2) Confissão: há outras pessoas ao meu lado e ninguém percebe, como podem ser tão distraídos quanto eu!? Porque logo hoje, agora, assim, de novo?

Este coração fraco está entre as vísceras mais escondidas ao sul do ventre. Uma inutilidade de ações se constrói até o futuro mais justiceiro e se destrói a cada minuto em que tudo acontece. De repente o executivo se manifesta e ataca com raiva, pulsante raiva, indignação à pobreza; incrível, não sentia nada por aquela sombra além do desejo de vê-lo morto, mas isso não lhe assumia completamente. O país lhe pesava pelas pessoas que nele se criaram: aquela sombra vei0 daqui, um passado que foi tenebroso com o livre arbítrio e continua a nos censurar.

Nossa, vinte minutos entre a liberdade e a clausura se passaram, uma nova recordação triste emerge se equilibrando contra uma boa. Um desejo frio de querer a morte (tão iminente e próxima é só pedir) flutuava na cabeça quando os problemas surgiam; nesse momento, qualquer dor nos apavora, nos faz pular aos anos infantis, inocentes.


E acabou. Boouu, como dizia aos 2 anos de idade, meio triste, querendo viver.

Pequenas Mudanças, Grandes Pretenções

Nessa semana mais algumas mudanças foram efetuadas por aqui, todas elas com o objetivo de aumentar a qualidade e a diversidade. Art Davis, um grande amigo, aceitou o meu convite de escrever junto comigo aqui, neste blog.

Mr. Davis está preparando seu texto de estréia, que alias eu dei uma espiada e gostei muito (desculpe amigo!), espero só as melhores criaçoes dele. Art e eu temos estilos bem diferentes -como vão descobrir na entrevista que futuramente realizarei com ele- mas temos objetivos em comum: testar novas formas e aprimorar nossas habilidades descritivas.

Espero que acompanhem nossa proposta e que, porque não, se divirtam com ela também, afinal "bobagem é coisa séria, é preciso com ela filosofar".

Obs. A lista "20 Títulos necessários na minha biblioteca" mudou de nome e virou: 20 Títulos necessários na biblioteca da Mét!

Obs.2 Vou pedir ao Art que ele fa
ça uma lista de discografia, interprétes ou o que ele ache interessante.

terça-feira, 8 de abril de 2008

Vivendo a Internet

Há uns dois anos, ouvi falar que o site oficial da Alemanha tinha um serviço de e-learning ( ensino online) gratuito de sua língua. Fiquei bem interessada, mas na época não fui conferir e esqueci sobre isso. Dois anos se passaram, o colégio acabou e entrei na faculdade de jornalismo.

No papel de futura jornalista, decidi que precisava saber mais que inglês e resolvi dar uma olhada nesse tal curso. Me surpreendi com a qualidade do ensino oferecido. Além de muito bem diagramado, o site tem vários recursos para o ensino, como exercícios escritos, auditivos e orais; provas objetivas, descritivas e orais. O curso é divido em 3 módulos: A.1, A.2 e B.1 e cada um tem 2 níveis. Após terminar o ultimo módulo você pode pegar um certificado no site.

Essa iniciativa do governo alemão me fez perceber como a web pode ser útil quando utilizada com inteligência e criatividade. Afinal, não é segredo para ninguém que existem muitas coisas legais e gratuitas na Internet. Ela se tornou muito mais que um meio de comunicação e de entretenimento, se tornou uma fonte valiosa de conhecimentos, que pode ser acessada por qualquer um, a qualquer hora.

Não existem barreiras para o pioneirismo: cursos, programas, eventos, mídias e muito mais. Tudo pode ser feito e compartilhado gratuitamente, de cursos de violão à programas de rádio em galês, de como fazer escargot à um programa modulador de voz. Enfim, basta ter um pouco paciência e uma certa dose de persistência para achar o que quiser na web.

Agora, para ter acesso total ao que é disponibilizado deve-se dominar ao menos o inglês básico. Então se quer começar a navegar de verdade na web e não sabe nada inglês, bote o orkut e o MSN de lado um pouco e comece um curso de inglês. Virtual ou não.


Sites indicados:

Site Deutsch Welle-World.de (curso online de alemão)


Site 1 Language.com ( curso online de inglês)

Site Goethe-Institut ( Instituto brasileiro de Alemão)


Site Cultura Inglesa ( Curso de inglês britânico)


Site Qatrum ( Curso de inglês)




Obs. Os sites Deustsh Welle e 1 Language não têm a opção de ensinar em português.

sexta-feira, 4 de abril de 2008

Uma pequena observacao sobre minhas listas

20 Títulos necessários na minha biblioteca

Entre esses 20 livros não são todos que estão entre os meus favoritos "favoritos". Mas resolvi pôr estes porque abrangem quase todos os tipos de épocas e assuntos e por isso são muito diferentes entre si.
Alguns deles são citados como referência o tempo todo ( Pequeno Príncipe e 1984 por exemplo) e outros são a demonstração de como se DEVE escrever ( Machado de Assis, Eiji Yoshikawa) ou até mesmo para ver o que mentes geniais podem criar ( Issac Asimov, Aldous Huxley). Bem as razões são muitas e os critérios também, mas por enquanto esses são os livro que não abro mão em minha mini biblioteca em particular.

Os 10 lançamentos - ou quase lançamentos - que você deve conferir! [livros/HQ`s/jogo/ filmes/etc]


Aqui estão os 10 lançamentos - ou quase - que você deve conferir! Acho que esta lista dispensa maiores comentários.

Uma entrevista um tanto esquizofrênica

Entrevista com a dona do Blog, Mét Green, na qual ela relata seus anseios e o que a levou a criar esta página virtual que está na sua tela.

P - Então Mét finalmente a senhorita tomou vergonha na cara e resolveu escrever um blog decente?

M - Pois é.. sabe como é antes eu tinha muitas ahn.. galinhas pra cuidar e tal, porque tu sabe , aqui no sul é muito comum ter galinhas em apartamentos porque é frio e tudo mais... *silencio* Tah, mentira! Eu ficava jogando The Sims, lendo e vendo serizinhas americanas! Era pura preguiça tah bom??? Satisfeita agora?

P- Okay.. *Pausa para respirar* então você está me dizendo que abriu mão de seus hobbys favoritos para escrever em seu mais novo blog??

M- Hmmm.. eu não iria tão longe.. abrir mão é uma frase muito forte.. eu diria abri um espaço para um novo hobby. Não é trocar sabe? É adicionar! É isso ai!

P - E o que te levou a essa "abertura de espaço"?

M - Ah, imagino que tenha sido minha consciência mesmo, afinal eu sempre tive tantas idéias e tão poucos registros.. gosto de criar histórias! Até te mostrei algumas, ?

P - Sim, mas aquelas não são exatamente obras primas, afinal tem um vocabulário meio limitado e carece de personalidade e coerência. Ah e..

M - Certo! Pode parar por ai! Tu tá aqui pra prestigiar meu trabalho - futuro trabalho na verdade - ou para me avacalhar?

P - Não é nada disso, só estava analisando profissionalmente a sua "vasta" obra.


M - ....

P - Sem ofensas Mét, mas sinceramente você leria o que escreve?

M - ...

P - Oh vamos lá, deixe de birra! Um pouco de profissionalismo por favor!! Estou só fazendo meu trabalho aqui! Agora faca o seu! Pode rebater minhas criticas se quiser, mas se manifeste!

M - Não, não.. tu tá certa.. nem morta eu gostaria do que escrevo.. alias, eu NUNCA leria o que eu escrevo! Repetição, texto desconexo, falta de imposição, temas banais.. ai meu deus ( sim, minúscula! Just in you face jesus, ahan!) o que eu estou fazendo?? Tenho que deletar esse treco!

P - Ei, não é bem..


M - Eu não nasci pra fazer isso.. eu não quero mais.. vou apagar tudo.. ai .. sou uma inútil.. *geme*

P - ...

M - *Resmunga*

P - Mas então, voltando a entrevista, são verdadeiros os boatos de que você costuma ter crises existenciais ou tomar posições radicais quando alguém lhe faz uma crítica?


M -Não, sou uma pessoa muito centrada, calma sabe?

P - Ah..

M - O quê?!

P - Nada, nada.


M - Hunf, bem continue com essa "pseudo-entrevista", porque se você acha que tem autoridade suficiente para me analisar e criticar, no mínimo deveria saber como conduzir uma entrevistinha chinfrim que nem essa..

P - Deu! Cansei! Por hoje é só, alias acho que essa já foi suficiente para uma vida toda!


M - Nah, tu sabe que não aguenta. Não dou um mês pra ti voltar. Tu sabe, tão bem como eu, que nós não desistimos.

P - Nós?


M - Nós jornalistas oras! O que mais poderia ser?

P - ... É tem razão, viagem minha.. É que por um momento pensei..


M - Que somos a mesma pessoa?? Bobagem a sua.

P - Então você pensou também?!


M - Ah?! Mas ...

P - ... (!)